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Kailash convoca todos para combater o trabalho infantil

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14/06/17 Procuradoria-Geral do Trabalho

Kailash convoca todos para combater o trabalho infantil

Prêmio Nobel da Paz de 2014 apresentou sua campanha na sede da PGT para autoridades e estudantes

Brasília -   “Nenhuma estrutura econômica pode ser construída com o choro das crianças e com o coração em sangue.  Não fique só esperando os governantes e as instituições para combater o trabalho infantil, faça também sua parte”, estimulou o  indiano Kailash Satyarthi, Prêmio Nobel da Paz de 2014, em palestra  nesta terça-feira (13), na sede da Procuradoria-geral do Trabalho (PGT), em Brasília. Com o auditório lotado, ele apresentou a sua campanha “Iniciativa Global 100 milhões por 100 milhões” e conheceu a campanha do Ministério Público do Trabalho (MPT) #chega de trabalho infantil. 


O objetivo da campanha é mobilizar 100 milhões de pessoas e estimular especialmente os jovens a lutar pelos direitos de 100 milhões de crianças que vivem na extrema pobreza, sem acesso à saúde, educação e alimentação, em situação de trabalho infantil e completa insegurança. Kailash destacou o esforço do Brasil no combate ao trabalho infantil. 

“Há 20 anos, o país tinha cerca de 10 milhões crianças sem escola e trabalhando. Agora esse número baixou para 2,8 milhões. É resultado da combinação de políticas públicas. Mas mesmo assim esse número mostra muitas crianças fora da escola e precisando de ajuda. Temos que trabalhar para acabar isso”. 

Ele lembrou do trabalho de sua entidade quando iniciou a lutar pelo combate ao trabalho infantil e de outras passagens pelo Brasil. Contou que numa fazenda de plantão de laranja encontrou dois irmãos de 9 e 10 anos trabalhando com os adultos. A eles perguntou se gostavam de suco de laranja. “Sabe o que me responderam: nunca tomamos suco de laranja e não sabemos o gosto”, contou ele, acrescentando que é preciso investir em políticas públicas e incentivo à educação para evitar o trabalho infantil. 

Para a procuradora-geral do Trabalho em exercício, Cristina Brasiliano, que abriu o evento, é uma honra receber o Prêmio Nobel da Paz. “Essa campanha 100 milhões por 100 milhões vem para somar com a nossa campanha #chega de trabalho infantil.  Precisamos acabar com essa chaga, que persiste no país”. Ela ressaltou o projeto Resgate à Infância do MPT, que atua em três eixos: políticas públicas, educação e aprendizagem. 

Por todo o país, o projeto leva às capitais e cidades do interior ampla discussão para despertar na sociedade civil e nas instituições governamentais a importância de medidas que garantam a crianças e adolescentes proteção e educação necessárias para afastá-los do trabalho infantil. Atividades lúdicas, palestras, audiências públicas, conscientização do ambiente escolar, sensibilização dos conselheiros tutelares, assinatura de Termos de Compromisso de Ajustamento de Conduta e ajuizamento de ações civis públicas fazem parte das iniciativas do projeto.

A ministra do Tribunal Superior do Trabalho (TST) Kátia Arruda, coordenadora do Programa de Combate ao Trabalho Infantil da Justiça do Trabalho,  elogiou a iniciativa da campanha de Kailash e dispôs a colaborar com a iniciativa. “Pode contar com o TST para a campanha. Vamos trabalhar juntos para acabar com o trabalho infantil”. 

“É preciso redobrar no Brasil a vigilância no combate ao trabalho infantil. O país  não cumpriu a meta firmada com à Organização Internacional do Trabalho (OIT) de eliminar todas as piores formas de trabalho infantil até 2016”, disse  a secretária-executiva do Fórum Nacional de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil (Fnpeti), Isa Oliveira. Segundo ela, entre as formas mais graves descritas na Convenção Internacional 182, da qual o Brasil é signatário, estão a escravidão, o tráfico de entorpecentes, o trabalho doméstico e o crime de exploração sexual, que, no caso dos dois últimos, vitimam principalmente meninas negras. ´”Inaceitável que crianças de 5 a 9 anos estejam trabalhando”. 

O coordenador da campanha 100 milhões por 100 milhões no Brasil,   Daniel Cara,  reforçou a importância da campanha do MPT. “É uma luta por direitos. Não apenas para proteger, mas para garantir os direitos sociais, principalmente, em um país onde a desigualdade de renda é grande”. Daniel explicou que a campanha é um grande chamamento intersetorial, com forte participação da juventude, envolvendo representantes de diferentes setores unidos para combater todas essas formas de exploração. “A vinda do Nobel ao Brasil para o lançamento é um marco global e representa apenas o começo de uma mobilização muito grande nacional”. 

Genebra -  O procurador-geral do Trabalho, Ronaldo Fleury, que está em Genebra (Suíça) participando da 106ª sessão da Conferência Internacional do Trabalho (CIT), prestigiou o evento por videoconferência. “Essa visita do Kailash ao MPT traz um brilho para a nossa campanha e une força para erradicar  o trabalho infantil  e melhorar as condições de vidas das nossas crianças”.  A conferência reúne mais de 5 mil representantes de governos e organizações de empregadores e trabalhadores dos 187 países-membros da OIT. 

O evento contou ainda com a participação da coordenadora Nacional de Combate à Exploração do Trabalho de Crianças e Adolescentes (Coordinfância), Valesca de Morais do Monte, de subprocuradores e procuradores do trabalho, do ministro do TST Lélio Bentes, servidores e cerca de 200 estudantes de entidades qualificadoras do DF. 

Campanha – A campanha  #ChegadeTrabalhoInfantil é uma iniciativa do MPT, por meio da Coordinfância, que busca o engajamento dos internautas nas redes sociais, incentivando-os a postar o gesto da “hashtag” em seus perfis como forma de apoio à causa contra o trabalho irregular de crianças e adolescentes.

Ela  foi desenvolvida pela agência Bretas Comunicação/B52 com o uso de verbas oriundas de acordos firmados com empresas do interior e da Grande São Paulo. Os artistas e esportistas que participam da iniciativa não cobraram cachê. Os canais disponibilizados pela campanha buscarão o engajamento dos internautas nas redes sociais, incentivando-os a postar o gesto da “hashtag” em seus perfis como forma de apoio à causa contra o trabalho irregular de crianças e adolescentes.  

Dentre os produtos disponibilizados aos internautas estão um site temático (www.chegadetrabalhoinfantil.com.br), contendo um blog com notícias, atualidades, orientações e prestação de serviços, além de um local dedicado a artigos e opiniões de especialistas. A campanha tem uma fanpage no Facebook e um canal próprio no YouTube. Os artistas gravaram vídeos com duração de 30 segundos com o mote da campanha, o “Hashtag neles”.     

 

Assunto(s)
Criança e Adolescente
Procuradoria-Geral do Trabalho - Assessoria de Comunicação - Tel. (61) 3314-8222
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