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16/05/18 MPT em Alagoas

Estudantes participam de debate sobre aprendizagem

Em um bate papo descontraído, procuradoras do MPT incentivaram busca constante por conhecimento e qualificação

Maceió – Estudantes do 3º ano da Escola Estadual Moreira e Silva, localizada no Centro de Estudos e Pesquisas Aplicadas (Cepa), tiveram uma aula diferente na noite desta segunda-feira, 14. O Ministério Público do Trabalho (MPT) levou aos alunos a discussão sobre aprendizagem profissional e exploração infantil, dando continuidade às ações de enfrentamento à violência infanto-juvenil realizadas pelo Fórum Estadual de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil e Proteção ao Adolescente Trabalhador de Alagoas (FETIPAT-AL).

Em um bate papo descontraído, as procuradoras do MPT Virgínia Ferreira e Adir de Abreu alertaram os estudantes sobre os perigos que o trabalho infantil causa na vida das crianças e dos adolescentes e a relação dessa exploração com a falta de qualificação e oportunidades ao longo da vida. “A educação é a ferramenta que abre portas para qualquer pessoa. Compreendemos as dificuldades que os alunos enfrentam, mas estamos conscientizando-os de que, quanto maior o estudo e conhecimento, as oportunidades no mercado de trabalho crescem e as chances de exploração diminuem”, explicou Virgínia.

Além da evasão escolar - um dos prejuízos causados pelo trabalho infantil - a procuradora Adir de Abreu lembrou que a exploração deixa sequelas físicas e cognitivas que prejudicam o desenvolvimento das vítimas. “Na fase da adolescência, o corpo ainda está em fase de desenvolvimento, e qualquer esforço maior que sua capacidade gera, em um trabalho, mais exaustão, mais desgaste físico e mais possibilidade de acidentes”, ressaltou Adir.

Durante o bate papo, as procuradoras estimularam os estudantes a procurarem vagas destinadas à aprendizagem profissional, ao lembrarem que Alagoas dispõe de 8 mil vagas de aprendizes - se considerado o percentual mínimo de 5% dos trabalhadores nas empresas -, mas apenas metade delas estão preenchidas. Os alunos ainda tiraram dúvidas sobre a relação de trabalho entre o aprendiz e a empresa, jornada de trabalho em dias de prova, supervisão, afastamentos por doença, quebra de contrato e outras dúvidas ligadas à aprendizagem.

Aprendizado - Alguns dos estudantes que participaram da conversa possuem vínculos como adolescentes aprendizes e puderam compartilhar suas vivências com as procuradoras. Há dois anos como aprendiz na Eletrobras Alagoas, o estudante Fabrício Lins, de 19 anos, afirmou que a oportunidade lhe trouxe muito aprendizado e experiência. “Pena que o emprego como aprendiz está acabando, mas o conhecimento que adquiri deverá me abrir muitas portas para o mercado”, disse Fabrício.

Já Iasmin Oliveira, de 21 anos, um dos poucos exemplos de quem não foi vítima de trabalho infantil, conhece a importância da escola como busca de um futuro digno. “Meus pais sempre priorizaram meus estudos e, numa oportunidade, consegui uma vaga de aprendiz. Uma pessoa que trabalha cedo perde o foco nos estudos e, sem educação, não somos ninguém para a sociedade”, afirmou Iasmin.

Programação - A programação segue nesta quarta-feira (16), na Escola Moreira e Silva, alunos recebem ações nos três turnos. No mesmo dia, na Escola Princesa Isabel, acontecem rodas de literatura, conversas e atividades lúdicas, além de oficinas sobre doenças sexualmente transmissíveis e gravidez precoce.
 
Na quinta-feira (17),  será a vez dos estudantes da Escola Maria José Loureiro que vão ter uma roda de conversa sobre os malefícios do trabalho precoce. Finalizando as atividades, no dia 18, serão promovidas ações lúdicas de combate à violência nas escolas Rosália Ambrozzio e Vitorino da Rocha. Uma roda de conversa sobre violência sexual será realizada nas escolas Laura Dantas. Já na Escola Correia Titara acontecerá uma palestra que abordará também a violência sexual.

 

Assunto(s)
Criança e Adolescente
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